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Jovem de Campos Gerais transplantado nos EUA vive expectativa de voltar pra casa
24/1/2017
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Portador de doença rara, mineiro teve que receber novo intestino. Cirurgia que salvou sua vida foi em 2015, quando ele tinha 16 anos.

Quase dois anos após receber um transplante de intestino nos Estados Unidos (EUA), Antônio Gleiber Cassiano Júnior, o Juninho, conta as horas para poder voltar para casa, em Campos Gerais (MG). Portador de uma doença rara, a “Síndrome do Intestino Ultracurto”, o adolescente viveu dos 14 aos 16 anos uma verdadeira batalha pela vida até conseguir passar pela cirurgia. A expectativa agora é ouvir dos médicos americanos o sonhado aval para retornar ao Brasil.

“A gente não vê a hora de chegar em casa e abraçar todo mundo. O coração dói”, disse por telefone, a mãe, Alessandra Marques Ribeiro, pouco antes de acompanhar o jovem em mais uma sequência de exames no hospital de Miami nesta segunda-feira (23).

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Há uma semana, Juninho fez um selfie para mostrar para a família que está pronto para voltar ao Brasil (Foto: Arquivo pessoal/Antônio Gleiber Cassiano Júnior)

Desde agosto de 2016, Juninho aguarda autorização para continuar no Sul de Minas os tratamentos de que necessita, mas a demora em encontrar uma clínica que ofereça o acompanhamento adequado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil atrasou seus planos.

Após passar um período com o filho nos EUA, Antônio Gleiber Cassiano voltou ao trabalho há cinco meses na lavoura de café de Campos Gerais. Todos os dias, ele conversa com a esposa e o adolescente, cheio de saudade e esperança.

“Acho que agora vai dar tudo certo. A gente já conseguiu a clínica para atender ele, porque ele vai precisar fazer exames a cada 15 dias, pegar os remédios. Essa clínica fica em São Paulo. A gente não tinha conseguido antes, mas agora está tudo certo. Só esperar.”

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Juninho e equipe médica em Miami: mineiro mobilizou internautas e moradores de Campos Gerais em luta pela vida (Foto: Reprodução/Junto com Juninho)


Busca por transplante

A doença que afetava Juninho começou a se agravar em outubro de 2014. No início do ano seguinte, ele teve que ser submetido à retirada de 95% do intestino delgado, órgão responsável pela absorção de nutrientes e minerais. A partir de então, só um transplante poderia salvar sua vida. A família descobriu que em Miami havia um hospital bem sucedido nesse tipo de procedimento, considerado delicado, e conseguir o dinheiro necessário para bancar as despesas se tornou mais um desafio.

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Transplante foi realizado em julho de 2015
(Foto: Reprodução/ Facebook)

A história do mineiro logo mobilizou muita gente dentro e fora da internet. Festa na cidade natal e campanha em rede social, por meio da página “Junto com Juninho”, foram organizadas para levantar recursos que ajudassem o garoto a enfrentar o período de recuperação do transplante. Uma decisão judicial obrigou o Ministério da Saúde a custear os gastos estimados em R$ 3 milhões com viagem, medicamentos e procedimentos médicos fora do país. No dia 12 de julho de 2015, ele foi operado.

Nos meses seguintes, o adolescente passou por um atendimento especializado para evitar que o corpo rejeitasse o novo órgão. Inicialmente, a expectativa era que ele voltasse para casa até dezembro de 2015, mas a data foi postergada para agosto de 2016 e, mais tarde, para dezembro.

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Juninho ladeado pelos pais, Alessandra e Antônio: família vive expectativa de se reencontrar no Brasil
(Foto: Arquivo pessoal/Alessandra Marques Ribeiro)


Saudade, frango caipira e leite


A avó, Maria Dulce Pereira, acredita que agora o destino do garoto, que em 3 de fevereiro completa 18 anos, será diferente. Desde que o marido de dona Dulce morreu, no final dos anos 2000, Juninho morava com ela. A vontade de rever o neto mal cabe dentro do coração.

“Quem sabe ele já não vem para comemorar o aniversário dele com um bolinho, né?”, cogita a avó. “Eu acho que agora não vai mais ter demora, porque ele já pode ser tratado aqui. Eu sei que, quando ele chegar, vou pedir para rezarem uma missa campal para ele”, garante.

Enquanto isso, Juninho já planeja o que vai fazer assim que pisar na casa, localizada em uma área rural, a 18 km do Centro de Campos Gerais. Primeiro, ele vai abraçar todo mundo- avó, pai, o irmão Jean, de 9 anos, toda a família. Depois, bom mineiro que é, vai logo para a mesa. “Sinto saudade de tomar leite e comer frango caipira”, confessa.

“Aqui tem leite”, comenta a mãe, “mas ele quer tirar [o leite] da vaca dele, aí na roça, para tomar mais gostoso. Aqui não é a mesma coisa, não é verdade?”

Fonte: G1



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