Alfenas
Preso morre no presídio de Alfenas e levanta suspeitas sobre falta de estrutura
Unidade enfrenta superlotação, alta demanda na saúde e já é alvo de decisão judicial por estado de calamidade
2 de maio de 2026
Um detento morreu na última sexta-feira (01/04) após passar por atendimentos no setor de saúde do presídio de Alfenas, no Sul de Minas. O caso levanta questionamentos sobre a capacidade de atendimento médico na unidade, que atualmente enfrenta superlotação e dificuldades estruturais.
De acordo com informações apuradas, por volta das 10h20 da manhã, o interno — identificado como Júnior Cesar Estevão — solicitou atendimento relatando fraqueza e mal-estar. Ele foi avaliado pela equipe de saúde, medicado e, após apresentar melhora, retornou à cela.

Horas depois, por volta das 14h, o detento voltou a solicitar atendimento, sendo então retirado novamente e colocado em observação junto a outros presos que aguardavam avaliação médica. Já às 17h, durante a retirada de internos da cela da área de triagem, agentes constataram que ele estava desacordado.
O setor de saúde foi acionado imediatamente. O enfermeiro responsável verificou que a saturação do detento estava muito baixa e solicitou o acionamento do SAMU. Ao chegar ao local, a equipe constatou o óbito.
A situação reacende o alerta sobre as condições do presídio de Alfenas. Atualmente, a mesma equipe de saúde — composta por um médico e dois técnicos de enfermagem — que antes atendia cerca de 400 detentos, agora precisa dar conta de mais de mil presos.
Segundo informações, somente neste ano já foram realizados mais de 3 mil atendimentos na unidade. Apesar da dedicação dos profissionais, a demanda elevada tem dificultado o acompanhamento adequado dos internos.

Relatos apontam ainda a presença de diversos presos com problemas de saúde, como furúnculos, tuberculose e outras doenças, agravando o cenário sanitário.
Há também uma decisão judicial em vigor que reconhece o estado de calamidade pública do presídio e determina a interdição parcial da unidade, com multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento. No entanto, a medida esbarra na falta de vagas em outras unidades prisionais da região.
Além disso, há um déficit significativo no efetivo de segurança. Estima-se que a 18ª Região da Polícia Militar precisaria de pelo menos mais 200 policiais para atender adequadamente os presídios do Sul de Minas.
Informações preliminares indicam ainda que o detento possuía acompanhamento médico externo e que o presídio teria sido informado sobre a necessidade de medicação e o agravamento de seu estado de saúde.
O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes.
Por Pedro Alencar Azevedo
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