Varginha

Grupo criminoso lavou cerca de R$ 12 milhões na venda de títulos de capitalização no Sul de MG

Foram mais de 27 medidas judiciais cumpridas na operação desencadeada pela Polícia Federal, sendo dois em MG e quatro em outros estados.

23 de março de 2022

Foram mais de 27 medidas judiciais cumpridas na operação desencadeada pela Polícia Federal, sendo dois em MG e quatro em outros estados.

Na manhã desta terça-feira (22/03) a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Venerália para combater lavagem de dinheiro decorrente do comércio de títulos de capitalização do Sul Minas Cap, entre os anos de 2011 e 2016, vendidos em dezenas de cidades mineiras.

Foram cumpridos 27 ordens judiciais, todas expedidas pela 11ª Vara Federal de Belo Horizonte, sendo 9 medidas cautelares judiciais específicas e 18 mandados de busca e apreensão em desfavor de pessoas físicas e jurídicas, nas cidades mineiras de Belo Horizonte (2) e Varginha (1), além de Porto Alegre/RS (2), Chapecó/SC (1), Blumenau/SC (1), São Paulo/SP (1), Cajamar/SP (2), Tanabi/SP (1), Presidente Prudente/SP (1), Matão/SP (1), Caruaru/PE (3), Garanhuns/PE (1) e Cachoeirinha/PE (1).

As investigações identificaram que o grupo criminoso que manejava o esquema tinha bases operacionais em mais de um estado da federação e teria lavado cerca de R$ 12 milhões. Três frentes foram apuradas: a lavagem de valores obtidos com a venda das cartelas, por meio de omissão da real quantidade efetivamente comercializada; a possível fraude nos sorteios das cartelas numeradas; e o suposto desvio do quinhão que deveria, por força de lei, ser creditado à entidade beneficente ou de utilidade pública.

As investigações têm como alvos empresários e ganhadores de prêmios de 2015 e 2016, alguns deles da ordem de R$ 300 mil. Os investigados responderão por crimes de lavagem de bens e valores, associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e uso de documento falso, cujas penas, somadas, podem chegar a 22 anos de prisão.

O nome da operação é uma alusão ao festival dedicado à deusa Vênus, que ocorria no dia 1º de abril de cada ano (no calendário gregoriano, dia da mentira), em face à fraude nos sorteios, também objeto da investigação.

Em 2016 a Sul Minas Cap encerrou suas atividades, os dirigentes migraram para outros estados, a empresa atual que comercializa títulos de capitalização não possui qualquer vínculo com a empresa investigada, conforme relatou o delegado da Polícia Federal, João Carlos Girotto. Ainda de acordo com o delegado durante a coletiva de imprensa na sede da PF em Varginha, o esquema funcionava da seguinte maneira: o valor da venda de entorno de 20 mil cartelas seguia para empresas e contas pessoais dos investigados que tinham relacionamento empresarial.

Também era desviado o dinheiro que deveria ser creditado para entidade beneficente ou de utilidade pública. Quem deveria receber o dinheiro na época era a Federação Mineira de Tênis (FMT), em torno de meio milhão de reais que foram creditados na conta pessoal de um dos dirigentes. Outra investigação ainda em andamento pela PF seria a fraude nos sorteios das cartelas enumeradas na época, porque de acordo com o delegado, ganhadores desse período também estão sendo investigados para saber se foram coagidos, enganados ou participaram efetivamente do esquema ilegal.

Indícios durante o percurso da investigação fizeram com o que a PF esteja investigando os ganhadores. Em 90% dos casos os valores depositados na conta dos ganhadores voltou para o Sul Minas Cap e no lugar eles recebiam veículos, em apenas um caso o ganhador chegou a receber nove veículos que eram revendidos no mercado. Outra situação que causou estranheza da PF, que houve casos dos ganhadores receberem em suas contas os valores antes mesmo das datas do sorteio.

Os crimes que os investigados deverão responder, que pode ocasionar em uma pena total de 22 anos são: associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e uso de documentos falso.

Da Redação